À medida que cresce o número de batismos de adultos, muitos católicos comemoram a perspectiva daquilo que está sendo chamado de um renascimento silencioso. É motivo de grande esperança ver tantos jovens ansiosos por aprender mais sobre a fé. 

Isso também é motivo de grande perplexidade. Os bispos se mostraram confusos e surpresos com a onda de novos convertidos que lotaram suas igrejas nesta Páscoa, algo que não condiz com nenhum plano de nova evangelização. Ninguém parece ter uma explicação para o fato de o catolicismo, particularmente o catolicismo tradicional, de repente ter se tornado popular entre a Geração Z.

No entanto, alguns podem ser considerados céticos em relação a esse renascimento. Ficam incomodados com o que está acontecendo. Esses críticos minimizam a tendência, considerando-a interessante, mas sem importância. Alguns adotam uma postura de esperar para ver, para não dar a impressão de estarem exagerando. Outros alertam para o perigo de politizar a tradição católica, questionando assim se o Espírito está realmente agindo.

Quanto mais liberais (e progressistas) mostram ceticismo, mais se percebe o medo que sentem. Temem que esse renascimento possa fugir ao seu controle. Por isso, procuram minimizá-lo e diminuir a sua importância. 

O jogo dos números

A refutação mais comum a esse renascimento é o jogo dos números. Embora as dioceses estejam reportando números recordes de conversões, os céticos salientam que, para cada novo católico entusiasta que entra na Igreja, muitos membros pouco praticantes abandonam a fé. Na batalha dos números, os que se afastaram terminarão vencendo, e a Igreja inevitavelmente encolherá. Esse renascimento não é, de forma alguma, um fator decisivo.

O problema com a refutação baseada nos números é o fato de pressupor que todas as conversões são iguais. Ela não leva em conta quem está se convertendo e os motivos para isso. 

A verdade é que o abandono da Igreja em massa por parte de católicos pouco praticantes e, muitas vezes, de vida moral duvidosa, sem formação catequética, não constitui surpresa — trata-se de uma tendência que se mantém desde o Concílio Vaticano II. Esses católicos são o grupo demográfico mais propenso a abandonar a Igreja — e é precisamente isso que está ocorrendo.

O que torna os números de conversões extraordinários é o fato de os grupos demográficos menos prováveis estarem entrando na Igreja. De acordo com a narrativa progressista, eles não deveriam se sentir atraídos pela Igreja — e, no entanto, estão.

Entram com entusiasmo e energia contagiantes, ansiosos por receber orientação. Entre eles encontram-se muçulmanos, não-cristãos, pagãos, ateus, esquerdistas, jovens, libertinos, celebridades, pessoas da elite, cientistas, filósofos e intelectuais. Figuras proeminentes do protestantismo também estão se convertendo, abalando os alicerces de muitas congregações. Aqueles que têm tudo a ganhar ao permanecer no establishment, agora querem sair. Querem contar as suas histórias e evangelizar o mundo.

Na verdade, os números não são o fator mais importante nesse renascimento. 

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